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Cultura

Visita orientada explora a modernidade na obra de Josefa de Óbidos

26 de março, 2026
Bombarral
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Estas pinturas eram consideradas, na altura, a Vogue dos tempos modernos. Era através delas que o povo sabia que vestes usar”. As palavras são de António Delgado, Professor Doutor da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e membro integrado no CIEBA – Centro de Investigação em Belas Artes, a propósito de uma visita, à Sala Sagrado, do Museu do Bombarral.

Nesta visita orientada, António Delgado destacou a forma inovadora como Josefa de Óbidos representa figuras sagradas, dando-lhes uma forte dimensão de modernidade, vestindo as santas com tecidos luxuosos, rendas e adornos contemporâneos, aproximando-as do contexto social da época.

Mais do que simples representações religiosas, esta pintura reflete o gosto cosmopolita da sociedade portuguesa durante a Restauração, revelando influências europeias e afirmando uma identidade aberta ao exterior. A atenção ao detalhe, visível nos penteados, nos tecidos e nos acessórios, transforma estas figuras em modelos de referência, funcionando como um meio de difusão de tendências e estilos.

Ao mesmo tempo, Josefa de Óbidos atribui a Santa Justa e Santa Rufina um significado mais profundo, retirando a figura feminina do espaço doméstico para a colocar num plano de visibilidade pública. Assim, o Sagrado torna-se também um veículo de afirmação social e cultural, onde arte, moda e identidade se cruzam, num discurso que alia devoção, modernidade e emancipação.

Última Atualização 26 março, 2026

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